Os amigos são essenciais em nosso tempo de ser jovem
Neste post, a bolsista Letícia Damasceno reflete, a partir das entrevistas realizadas pela pesquisa, sobre o papel das amizades na construção de nossas referências sobre o que é viver o tempo de ser jovem.
Por Letícia Damasceno

Ao analisar as entrevistas da nossa pesquisa, uma das coisas que mais me chamou atenção foi perceber que, quando os jovens falam sobre o que significa ser jovem, eles quase nunca estão falando apenas sobre idade. A juventude aparece muito mais relacionada às experiências vividas nesse período, principalmente às pessoas que estão ao nosso lado.
Nas falas, a amizade aparece de diferentes formas, mas quase sempre ocupando um lugar muito importante. Falar sobre juventude é falar sobre conviver com os amigos, criar memórias e até sobre aqueles momentos simples que, na hora, parecem não ter tanta importância. Isso me fez perceber que talvez a juventude seja menos sobre aquilo que fazemos e mais sobre com quem fazemos.
O tempo livre, nesse sentido, não parece ser simplesmente um tempo “sem fazer nada”. Ele é um tempo de convivência, de descoberta e de construção de vínculos. É nesse espaço que o jovem consegue experimentar diferentes formas de ser, conhecer pessoas, mudar de opinião, criar novas relações e construir sua própria identidade.
Também percebi que existe uma certa preocupação com a passagem desse tempo. Mesmo quando isso não é dito diretamente, aparece a ideia de que a juventude é passageira e de que, em algum momento, as responsabilidades vão ocupar o espaço que hoje pertence aos encontros, às amizades e à espontaneidade. Isso me fez pensar que, quando os jovens valorizam tanto o tempo livre e a convivência, talvez estejam valorizando também uma liberdade que sabem que pode não durar para sempre.
A análise também mostrou que as relações não aparecem apenas como parte da juventude, mas como algo que ajuda a dar significado a ela. É através do outro que muitas experiências se tornam importantes. Uma memória não é construída apenas pelo lugar onde estivemos ou pelo que fizemos, mas também por quem estava conosco e pelo significado que aquela experiência adquiriu a partir dessa convivência.
Por isso, durante a análise, fui entendendo que a minha hipótese não está apenas na ideia de que os jovens gostam de estar com os outros. Ela está em algo mais profundo: o outro parece ser uma das principais formas pelas quais o jovem compreende a própria experiência de ser jovem.
No fim, o que mais ficou para mim foi perceber que “Tempo de ser Jovem” não diz respeito apenas ao tempo que temos, mas ao modo como escolhemos vivê-lo e, principalmente, a quem permitimos que faça parte dele. Talvez seja por isso que tantas das nossas lembranças mais importantes estejam ligadas a pessoas e não a acontecimentos. Porque, quando o tempo passa, o que permanece não é necessariamente o que fizemos, mas aquilo que vivemos juntos.







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